sábado, 14 de julho de 2007

Seu Nome

Olhos oblíquos da cor do ébano... Profundos!

De que mundo eles vieram?...

Olhos oblíquos da cor do ébano... Profundos!

O que será que eles pensam?...


Tu surgiste, naquela noite, como algo especial.

Não posso dizer que foi paixão.

Nada naquele momento foi real.

Não posso dizer que foi amor...Não.


Meu peito já não bate mais,

Sobrou-me apenas lembranças...

De um momento que não volta jamais,

Mas ainda me resta as esperanças...


Pôr que? És tu!...


Olhos oblíquos da cor do ébano... Profundos!

De que mundo contam histórias?...

Olhos oblíquos da cor do ébano... Profundos!

O que será que eles viram?...


Sou tolo... Reconheço...

Que de mim sinto ódio

Mas é pôr ti que padeço.

Mesmo mergulhado em ópio...


Se os sonhos que ti acompanham.

Pôr um instante, ao menos, eu os viveria,

E não mais padeceria.

Como?... Como os céus te chamam?


Diga-me...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Passos... Passos


Passos. . . Passos. . .

E a vida passa!

Passos. . . Passos. . .

Tudo passa.


Vento...

Sopra sussurrando;

Sonhos silenciados;

e o silêncio inspirado

Vai-te as horas soltas,

micênicas, solteiras,

soluçamtes. . .

Só - fico só.

Vento sopra sussurrando

cantando “Confutatis”


Passos. . . Passos. . .

E a vida passa!

Passos. . . Passos. . .

Tudo passa.


Com ela se vai meu sopro.

Com ela se vai minha alegria.

Só me resta saudades soltas.

Com ela se vai minha pousada.

Com ela se vai meu despertar.

Só me resta uma solidão soluçante.


Passos. . . Passos. . .

E a vida passa!

Passos. . . Passos. . .

Tudo passa.


Semblante sofrido,

Surrado... falecido. . .

Vão-se os amigos queridos.

Vão-se os dias compartilhados.

Vão-se os sonhos divididos.


O que sobra?

O último suspiro

O último suspiro

Ibn Schaccabao disse:

A dor da partida só é percebida, quando os verdadeiros sentimentos são conhecidos.

Diante destes frontões rochosos, esta frase dói como num suspiro de agonia. O crepúsculo de cores claras e tristes se abre em espetáculo atrás de mim. Iluminando em fantasmagoria aquelas rochas carregadas de liquens esverdeados. Nesta praia de desventuras, eu espero. Não há vinho, tabaco ou fumaça de espirais capaz de vencer tal cenário perdido às margens do esquecimento.

Certa vez eu vivi como todas as criaturas que trilham a terra da realidade. Nestes dias iluminados pela luz do astro-rei, apesar d’eu viver mais sob os auspiciosos acalantos das estrelas, compartilhei venturas, histórias e copos. Sou dado a perder-me nas veredas das emoções. E nas minhas emoções perdi-me dentro de incontáveis histórias. De todas hoje sou esquecido. Parto sem ser lembrado. É esta a sina dos noturnos, arrebentarem-se na companhia de ingratos, com a bebida e o charuto, a corda do coração sempre apaixonado e doente.

Certa vez eu vivi para conhecer outros homens e seus angustiados sonhos. Sombras de outros tempos em velhas reuniões em lugares esquecidos. Eu conheci seus terrores, seus amores e suas dores. Afortunado foi, dirão alguns ao conhecer o elenco de personagens, mas as negruras da ilustração cobraram um preço alto. Levaram minha esperança. Por isso estou nesta praia ao arrebol.

Diante dos frontões rochosos, desta praia do oblívio, está cravado um portão de bronze carcomido, sujo e enferrujado pelo tempo. Velhas línguas foram riscadas entorno deste pórtico ancestral. Todas foram esquecidas. O que será que estas palavras dizem? Não importa. Aqui estou. Não carrego ódios ou alegrias, apenas melancolias de frias noites solitárias.

Portão, senhor de destinos perdidos, por que não se abre à minha presença? Sigo hirto para minha sina. Por que, diga-me velho guardião, não me entregas à perdição?

Teus conhecimentos, tu deve esquecer se quiser conhecer – diz uma voz estrondosa ao vento sussurrante. Ah! Atroz Chronos por que destrói mais uma criatura como eu? Se, é verdade que os homens são os que conseguem melhor relacionar em seus conhecimentos. Perder o que se sabe é não poder conhecer mais. É por fim deixar de ser homem? Quão alto é o preço para se estar além das terras do sol. Portão saiba que teu preço eu estou disposto a pagar, para que em outras esferas possa vagar. Abriste. Deixe-me passar. Se tudo eu devo esquecer até meu charuto irei apagar.

Certa vez eu vivi. O portão se abriu. Lembrando e esquecendo, fui andando devagar. Minha vida, infância e juventude, pouco a pouco foram se esvaindo. Amores, disputas, sonhos e desejos ao vento foram se elevando, tal como folhas secas. A cada passo, fui esquecendo quem eu sou, ou fui. Meu coração batia lentamente. Sou esquecido pelo mundo ao qual fui um ingrato devotado, mas também, escureço meus olhos para tudo o que me fora dado.

Certa vez eu parti. Nas trevas do umbral do portão, somente uma lembrança restou. Antigo delírio de outros tempos, esquecido dentro da imensidão da minha memória e agora despertado. Nas portas do reino do esquecimento, só uma lembrança bastou. E que muito me alegrou.

Antes de tudo para sempre escurecer, vi seu rosto em sorriso florescer...